Dieta Dukan

O método do nutricionista francês Pierre Dukan promete uma perda de peso rápida e duradoura, em quatro fases. A primeira corresponde à ingestão só de alimentos proteicos, como a carne e o peixe. Na segunda introduzem-se também os legumes. A terceira corresponde à consolidação do peso perdido nas fases anteriores, pelo que se reintroduzem os alimentos excluídos, como o pão, o arroz, os queijos, os frutos, as massas e as batatas. A quarta equivale à estabilização.

Os riscos da perda rápida de peso superam as vantagens. Além de gordura, esta dieta faz perder muita massa muscular e água. Após uma privação severa, o organismo aprende a liçào e reage, assimilando melhor as calorias. Ou seja, antecipando futuras dietas, o corpo usa a breve pausa concedida para reconquistar as reservas perdidas. É possível recuperar todos os quilos em pouco tempo e ainda ficar com mais peso do que antes do regime. Devido a esta dieta, o fígado vai produzir maiores quantidades de corpos cetónicos, compostos químicos que, a partir de certos níveis, são tóxicos para as células nervosas. A dieta causa ainda prisão de ventre, devido à falta de fibras, vitaminas e minerais; e fadiga e cãibras musculares pela privação de açúcares.

As autoridades de saúde e científicas têm lançado avisos sobre a dieta Dukan. Em França, os especialistas da Agência Nacional de Segurança Alimentar desencorajam o consumidor a aderir a este regime desequilibrado. Além disso, associam-no, a longo prazo, ao possível desenvolvimento de cancro e de doenças cardiovasculares. A Associação Espanhola de Dietistas e Nutricionistas também alertou a população.

A escassez de estudos sobre esta dieta levou o grupo francês CCM Benchmark, reconhecido na investigação sobre nutrição, a realizar um extenso inquérito. O objetivo era analisar se as pessoas que seguiram o método Dukan tiveram uma perda de peso duradoura. Receberam cerca de cinco mil respostas e os resultados foram publicados na revista médica Obésité, em junho de 2011. Os números falam por si: 80 por cento das pessoas que cumpriram este regime recuperaram todo o peso perdido até quatro anos depois de o iniciarem.

Numa análise de 2009, as autoridades francesas foram ainda mais taxativas, pois 80 por cento dos pacientes inquiridos recuperaram o peso durante o ano seguinte à conclusão do método. O outro estudo, de 2001, destaca que a recuperação de peso é acelerada nos anos seguintes.