Tendência para engordar

Não há dúvida de que algumas pessoas têm tendência para engordar. Os principais responsáveis são os fatores hereditários: certos estudos genéticos identificaram um conjunto de genes que podem predispor para a obesidade. Porém, é necessário distinguir entre a verdadeira hereditariedade e as tradições psicodietéticas familiares, isto é, os hábitos alimentares em casa. Nas famílias de obesos, come-se mais. Ora, as células adiposas formam-se durante a infância. Quanto mais uma criança come, maior quantidade dessas células origina. Mais tarde, elas estarão presentes e prontas para armazenar gordura.

 

O processo de formação das gorduras é bem conhecido, mas sabe-se menos sobre os factores que propiciam a obesidade, por ser um processo complexo. Por exemplo, esta doença chegou a ser atribuída a um aumento do apetite ligado à hipoglicemia, fenómeno provocado por um excesso de insulina. Actualmente, sabe-se que o excesso de insulina é uma consequência da obesidade e que diminui através do emagrecimento. Muitas outras teorias se desenvolveram sobre as causas, desde um desvio bioquímico, ao mau funcionamento do centro de regulação do comportamento alimentar (fome/saciedade), situado no hipotálamo. Neste caso existia, à partida, uma espécie de fragilidade constitucional, na maioria das vezes de natureza desconhecida.

 

A retenção de líquidos é um fator muitas vezes invocado pelas mulheres. O ciclo menstrual influencia a quantidade de líquido retido pelo corpo, mas apenas de forma temporária, imediatamente antes da menstruação. Portanto, durante esses dias, é normal que a dieta não faça qualquer progresso. Em nenhuma situação se deve diminuir a ingestão de líquidos, sobretudo de água, indispensável à eliminação dos produtos do catabolismo. Chamamos assim ao conjunto de reações que degradam substâncias complexas para originar outras mais simples. Pelo contrário, o processo de formação de moléculas complexas a partir de moléculas simples designa-se por anabolismo.

 

Outras explicações baseiam-se em perturbações nervosas que modificam o ritmo de absorção e de utilização dos alimentos. Neste caso, a obesidade resultaria de uma tendência do organismo para acumular gorduras, sem nunca as utilizar como reserva.

 

Tal como acabamos de ver, as causas são múltiplas e as explicações não são unânimes. Apesar de existirem fatores hereditários na obesidade, isso não significa que todos os filhos de obesos estejam condenados a esta doença. Contudo, é certo que devem ter muito mais cuidado do que as outras pessoas.